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VALENÇA: DOS CEM MIL TÃO ESPERADOS, À QUEDA POPULACIONAL

Dados do Censo 2022 frustam crescimento e surpreendem com redução demográfica.

O município de Valença reduziu sua população em – 2,7%, em relação à 2010. É o que revelou o Censo de 2022, frustrando as expectativas da população e do próprio IBGE, ao projetar que seria de cerca de 97.000 em 2017.

Frustrante e surpreendente, pois além de não alcançar a tão esperada marca dos 100.000 habitantes, houve redução de mais de 4.000.000 pessoas no número de 85.655 moradores, coletado em 2022, quando era de 88.729 em 2010.

As indagacões para tal impacto populacional do maior município do Baixo Sul podem ser parcialmente respondidas pelo IBGE que, de forma geral, atribui o menor crescimento populacional do Brasil à redução da natalidade, que foi a maior da história do Censo.

A pandemia de covid-19, segundo ainda o IBGE, também contribuiu para que o ritmo de crescimento caísse ainda mais, devido à alta na mortalidade. O Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) estima que, entre 2020 e 2022, um milhão de pessoas morreram a mais do que a média dos anos anteriores. Outro aspecto também decorrente da pandemia, foi um menor número de nascimentos, que já estava em queda, e que caiu ainda mais – por motivos comportamentais, como o adiamento da gravidez e o isolamento social.

Sim, mas e Valença? Mesmo levando em conta os negacionismos estatísticos predominantes no Brasil dos anos recentes e, ainda, o fato de o município não ser, via de regra, adepto de estudos demográficos e outros dados de pesquisa para subsidiar a gestão pública, é evidente que Valença sempre se constituiu em fator de atração de moradores, pois, historicamente, para cá vieram regularmente muitas pessoas atraidas pela oferta de alimentação extrativista dos estuários, manguezais, mata atlântica e tradição na agricultura de subsistência.Tal atração se deveu, ainda, às promessas de trabalho que a fábrica de tecidos e sua cadeia de negócios oferecia. Deve-se considerar, mais recentemente, o fator Turismo, com oportunidades econômicas inéditas e em expansão, principalmente no setor de serviços, o que mais cresce no cenário atual.

 

 

Então, para onde foram os que estavam aqui? O que aconteceu a essas milhares de pessoas?

No caminho oposto, Aratuípe, Cairu, Gandu, Ibirapitanga, Jaguaripe, Piraí do Norte, Presidente Tancredo Neves, Teolândia e Wenceslau Guimarães apresentam índices de crescimento.

Essa redução demográfica de Valença acende um alerta vermelho para os gestores públicos sobre os efeitos desse resultado negativo a médio e longo prazos, tendo em vista que, a curto prazo, a realidade sócio-econômica do municipio se deteriora a olhos vistos.

Com tantas faculdades em Valença e próximas daqui, estudantes de Administração, Gestão Pública, Medicina, Direito, Pedagogia ou Economia precisam se debruçar sobre essa realidade para oferecer respostas à necessidade de enfrentamento e intervenções às possíveis consequências econômicas e sociais dessa surpreendente e ainda inexplicável redução.

Sobre a autora: 

 

 

Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo é professora da Rede Estadual de Ensino da Bahia, graduada em Letras e especialista em Avaliação, escritora, membro da Academia de Letras do Recôncavo-ALER, e da Academia de Educação, Letras e Artes de Valença-AVELA. 

 

CRÉDITOS – BAIXO SUL EM PAUTA

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