
Jerônimo escala Geddel Vieira Lima para defender segurança pública da Bahia
Ex-ministro reage a ataques da oposição, mas evita comentar escândalos recentes no sistema penitenciário sob gestão do MDB
O ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) ressurgiu no cenário político baiano ao aparecer em vídeo divulgado nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, no qual defende a política de segurança pública do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A fala de Geddel surge como resposta direta às críticas feitas pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (UB), sobre o avanço da criminalidade no estado.
No vídeo, Geddel relembra episódios de violência durante gestões do grupo político de ACM, citando, entre outros, a superlotação de presídios e fugas de detentos ocorridas em administrações anteriores. Apesar do tom incisivo contra o adversário, o ex-ministro não mencionou os escândalos recentes envolvendo o sistema penitenciário da Bahia, atualmente sob a gestão da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) — pasta que, segundo bastidores da política, é hoje influenciada pelo MDB, partido do próprio Geddel.
Entre os episódios recentes, destacam-se:
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Um suposto triângulo amoroso envolvendo uma ex-diretora de presídio, um detento e um ex-deputado federal do MDB, em Eunápolis;
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A fuga de 23 detentos em apenas sete meses, em três ocorrências distintas;
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E, mais recentemente, uma denúncia publicada pelo jornal Correio revelando que lideranças da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM) transformaram uma cela do Módulo V da Penitenciária Lemos Brito (PLB), em Salvador, em um espaço com móveis planejados, bebidas importadas e itens de luxo — em total desacordo com as normas do sistema prisional.
Mesmo diante dessas revelações, Geddel não abordou publicamente nenhum dos casos, mantendo o foco do discurso em comparações históricas e ataques à oposição.
A participação do ex-ministro reacende o debate sobre os critérios de gestão da segurança pública na Bahia e coloca o MDB novamente no centro das discussões políticas e institucionais do estado.
Por Redação / CN
Geddel é preso três dias após descoberta de malas com R$ 51 milhões
O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) foi preso na manhã desta sexta-feira (8/9), em Salvador, três dias após a Polícia Federal encontrar mais de R$ 51 milhões, atribuídos a ele, em um apartamento. Agentes encontraram Geddel no condomínio residencial onde ele cumpria prisão domiciliar desde julho. O ex-ministro deve ser transferido para Brasília.
A ordem de prisão foi assinada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal e ainda é sigilosa. No pedido, a PF e o Ministério Público Federal argumentaram que a medida era necessária para evitar “a destruição de elementos de provas imprescindíveis à elucidação dos fatos”.
Também há três mandados de busca e apreensão e outro de prisão preventiva. Segundo o MPF, as medidas são necessárias porque Geddel se mostrou uma espécie de serial criminal, ou seja, um criminoso em série, que, diz o órgão, não foi impedido de delinquir nem ao ser determinada sua prisão domiciliar.

Arquivo/Agência Brasil
Segundo a Folha de S.Paulo, também foi preso foi Gustavo Ferraz, ex-assessor de Geddel, que hoje atuava como diretor da Defesa Civil de Salvador.
A investigação apura suposto esquema de fraude na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal entre 2011 e 2013 – período em que Geddel era vice-presidente de Pessoa Jurídica da instituição.
Na terça-feira (5/9), a Polícia Federal apreendeu malas e caixas de dinheiro, em um apartamento em Salvador. O proprietário, Sílvio Silveira, declarou em depoimento que emprestou o imóvel a Geddel, que teria pedido para guardar pertences do pai, morto no ano passado.

Divulgação/PF
Geddel já havia sido preso no dia 3 de julho por ordem do mesmo juiz. De acordo com a acusação do MPF, o ex-ministro recebeu mais de R$ 20 milhões do financista Lúcio Funaro em troca de intermediar a liberação de empréstimos a empresas do Grupo J&F.
Dias depois, foi encaminhado para prisão domiciliar, porque o desembargador Ney Bello Filho, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, não viu motivos para a medida. “Ofende o Direito e o vernáculo prender preventivamente alguém por ato pretérito, sem contemporaneidade”, afirmou na ocasião.
Ex-responsável pela Secretaria de Governo da Presidência, Geddel oficialmente pediu para deixar a administração Michel Temer (PMDB) em novembro de 2016, depois que o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero disse ter sido pressionado para liberar uma obra no centro histórico de Salvador.
Com informações da Agência Brasil.










